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sábado, 12 de janeiro de 2013

Briga na justiça pode trazer a público milhares de páginas escritas por Franz Kafka

Milhares de manuscritos de Franz Kafka (1883-1924), autor imprescindível do século 20, poderão ser conhecidos pela primeira vez após uma recente decisão judicial israelense que segue um longo caminho de fugas, paixões, heranças, promessas, segredos e cofres ocultos.
Assim que for executada a sentença ditada no fim de semana passado pelo Tribunal de Família do Distrito de Tel Aviv, o legado do amigo íntimo de Kafka - o escritor e compositor judeu Max Brod - será em breve transferido de mãos privadas para a Biblioteca Nacional de Israel, onde estará acessível para pesquisadores do mundo todo.
Porém, a execução pode se prolongar durante anos se os até agora proprietários do tesouro literário resolverem apelar a uma corte superior, como seus advogados advertiram que farão.
O autor judeu nascido em Praga publicou poucos de seus trabalhos em vida, mas, anos antes de morrer, entregou seus textos, cartas, anotações e esboços a seu amigo Brod, não sem antes fazê-lo prometer que os queimaria após sua morte.
Felizmente, para os amantes da leitura e para dezenas de autores influenciados por Kafka, como Albert Camus e Jorge Luis Borges, Brod não cumpriu sua promessa e publicou o que rapidamente se transformaram em obras-primas da literatura, como O Processo e A Metamorfose.
Fugindo de Praga por conta do avanço dos nazistas, Brod emigrou em 1939 para a Palestina sob protetorado britânico e, antes de morrer em 1968, entregou os manuscritos de Kafka e milhares de documentos e correspondências à sua secretária e amante, Esther Hoffe.
Em seu testamento, pediu que com a morte de Esther, os papéis fossem levados a um arquivo público "em Israel ou no exterior".
Hoffe morreu faz cinco anos com 102 anos de idade, o que gerou uma batalha judicial entre as autoridades culturais israelenses e suas duas filhas, Eva Hoffe e Ruth Wiesler (falecida há poucos meses).
"Brod lhe entregou o legado só para que o tivesse em vida, suas filhas não podiam herdá-lo", explicou à Agência Efe o professor Hagai Ben Shamai, diretor acadêmico da Biblioteca Nacional de Israel, que considera que joias literárias dessa relevância "não podem permanecer em domínio privado".
Para ele, o fato de Brod trazer os documentos para Israel e de que os dois amigos eram judeus é uma clara prova de que pertencem ao público israelense e que devem ficar no país.

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